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Saturday, June 30, 2018

Mudam-se os tempos, Luiz Vaz de Camões


Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
 muda-se o ser, mudam-se as confianças;
todo o mundo é composto de mudanças,
tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
diferentes de nossas esperanças ;
não ficam aqui mais que as lembranças
do bem passado ou das adversidades.

Mas do bem tão mais são de sofrer,
que é muito melhor poder passar
qualquer trabalho, pena e desprazer.

Porque tudo, enfim, se há de perder,
muito mais vale a pena do pesar
 do que contenta a glória do prazer.

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Na TV Poesia  Poema declamado






Poema Argentino


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Ilustração  Nico para Santiago Maldonado ativista a causa indígena assassinado na Argentina em 2017

Um poema para que apareça
Onde está o Bruxo?
Está dormindo entre os pinhos que rodeiam o bosque?
Juntando fungos no terreno atrás da casa de Amélia?
Não tínhamos janelas nesse lugar
havia fogão
e estávamos um pouco de favor
/para mim.
Para ele tudo era nosso
ou de ninguém.
Eu caminho como que pedindo permissão,
ele caminha como se o dono nos devesse algo.
Eu não creio em magia ou astros.
Quase não acreditamos em nada
Mas cada um a seu modo.
Quase somos planos anômalos para os entendimentos cotidianos,
quase que disse te amo sem querer
/porque conheço as diferenças,
e te vejo entrar;
e me aconchego em teus braços com um mapa,
funcionou de desculpa uma vez, seguramente funcionará outra,
e outra.
Pego o mapa para lhe buscar, bruxo,
em que caminho andarás cortando maças para mim,
que tenho medo a noite quando cai sem luzes permitidas,
e me apresso por medo ao tempo que se perde, e você se detém para ver a lua.
Agora fecho os olhos e te vejo descendo a colina às escuras,
olhando com tranquilidade minha impaciência, contemplando com ternura meu medo pelo escuro.
Falaram muito sobre você,
Mas não falaram de sua ternura.
Quero sua voz para que não seja verdade, para poder seguir acreditando,
porque se não voltas,
se não voltas perdi e tinhas razão,
se não voltas e eu volto,
já não poderei acreditar em nada.
A academia e meus deuses, as ciências e seus aparatos, os congressos com seus certificados,
Os proclamas e os santos,
tornar-se-ão úmidos,
as paredes perderão a cor
os rostos serão iguais/repetidos/mentirosos/de crepe e de cola.
Se você não voltar terei que acreditar
nas pichações anônimas e na poesia.
Porque se a poesia não serve para gritar que apareça,
a essa poesia a quebramos com golpes
e fazemos uma nova que te encontre,
e construa pontes para teu abraço tíbio.
Se não voltas,
e não pisca teus olhos,
e seus conselhos sobre as plantas ao longo da estrada,
terei que acreditar em fadas e bruxos de contos libertários.
     Poeta Argentina Eliana Cossy.
https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2017/08/21/argentina-um-poema-para-que-apareca-as-comoventes-palavras-de-uma-amiga-de-santiago-maldonado/


Thursday, June 21, 2018

Todo dia tem poesia

Y sé muy bien que no estarás.
No estarás en la calle,
en el murmullo que brota de noche
de los postes de alumbrado,

                                                              Julio Cortazar 


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