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Saturday, January 13, 2018

Sobre ano novo e velhos desejos





Ano novo. Vida nova. Bobagem a vida é a mesma e o tempo é o mesmo. O calendário dá uma noção e pode até ajudar na organização, mas o ano só será novo e a vida só mudará se suas atitudes mudarem. Do contrário teremos apenas um prolongamento desta vidinha e deste tempo com suas feridas mal curadas, suas lamentações repetidas, seus desejos não compreendidos, suas vontades incertas, seus caprichos infantis, suas receitas sem remédios, seus sonhos enigmáticos, suas verdades sem reflexões, suas guerras sem batalhas, seus livros na estante, sua memória reativa, suas mágoas ofegando sua respiração, sua bagagem não feita, seu prato não digerido, sua caminhada planejada, seu salário insuficiente, sua poesia sem lirismo, seu cabelo despenteado. 

Mas a vida é essa mesmo. O cotidiano devora sonhos. E o que fazer para renovar, para vivenciar um ano novo, para alcançar a serenidade e a felicidade. É preciso ressignificar a palavra alcançar, a felicidade não é um destino estático, não é um objeto, um fruto maduro a ser colhido de uma arvore gigante, a felicidade deve ser construída tijolo a tijolo no dia a dia com os desafios cotidianos das relações conflitantes que estabelecemos. As vezes com a necessidade do outro para aquecer nosso frio, outras vezes com a necessidade de distanciar do outro pois nos sentimos espetados com ouriços.

De Buda a Schopenhauer aprendemos que o desejo é a fonte dos sofrimentos. Nunca estaremos saciados, sempre desejaremos o inalcançável, o cobiçado fruto proibido que segundo a mitologia cristã nos levou a expulsão do paraíso, mas não nos eximiu do desejo idealista e materialista de casar, ter filhos, ter casa, ter carro, viajar, ser rico, ser lindo, ser belo, ser amado, ser famoso, ser importante, escrever um livro, viver um conto de fada, gozar prazeres diversos. 

Se para monge a edificação nos custará uma vida inteira, compreender nossos desejos e vivencia-los diminuindo a estranheza que sentimos de nós mesmos e diante do mundo, parece ser o caminho a ser percorrido na construção do caminhar. 

O ontem foi apenas um passado, o amanhã é uma mera expectativa. No hoje habita nossa oportunidade e espaço para fazer e vivenciar novos momentos renovando nossos pensamentos, mudando nossos hábitos, equilibrando a dosagem entre o sentir e o fazer, entre o sofrimento e a satisfação, entre o desejo e a realização 
      

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